Políticos não são Santos: Por que estamos transformando Ideologias em Religiões?

 


Políticos não são Santos: Por que estamos transformando Ideologias em Religiões?

Você já parou para observar como as discussões políticas hoje se parecem mais com guerras religiosas do que com debates sobre administração pública? Se você criticar um projeto de lei ou apontar um erro óbvio de um líder, não recebe de volta um argumento técnico. Recebe uma acusação de "heresia".

Estamos vivendo a era do messianismo político, onde o palanque substituiu o altar e o título de eleitor virou uma certidão de batismo. Mas a que preço?

A sacralização do palanque: Quando o voto vira um ato de fé

Antigamente, votávamos em síndicos da nação. Hoje, parece que estamos escolhendo salvadores da alma. O fenômeno dos "Messias modernos" na política brasileira não é coincidência; é um projeto.

Quando transformamos um político em uma figura divina, perdemos a capacidade de enxergar o óbvio: eles são funcionários públicos. No momento em que o plano de governo vira uma "escritura sagrada", qualquer tentativa de revisão é vista como um ataque pessoal à moral do eleitor.

O nascimento dos "Messias": Por que buscamos salvadores?

A psicologia explica: é mais fácil seguir um guia cego do que carregar a responsabilidade de fiscalizar processos complexos. É reconfortante acreditar que "ele" ou "ela" vai resolver tudo, enquanto nós apenas assistimos e aplaudimos.

A Anatomia do Fanatismo: Por que a crítica virou heresia?

Tente fazer um teste: aponte uma falha ética no político de estimação de um militante. A resposta raramente será uma defesa do fato. Geralmente, ela segue três passos:

  1. Negação: "Isso é invenção da mídia".

  2. Transferência: "Mas e o outro? O outro fez pior!".

  3. Ataque: "Você só diz isso porque é um [insira o rótulo oposto aqui]".

Esse comportamento é típico de seitas. Quando a identidade de uma pessoa está fundida a um líder, uma crítica ao político é sentida como uma facada no próprio peito. A lógica morre e dá lugar à devoção cega.

O "Nós contra Eles": A demonização do adversário

Marqueteiros políticos descobriram que o medo engaja mais que a esperança. Por isso, a narrativa religiosa de "Bem contra o Mal" foi importada para as campanhas. O adversário não é mais alguém com uma visão econômica diferente; ele é o "demônio" que vai destruir sua família, sua fé ou seu futuro.

Quando o "outro" é desumanizado, a democracia agoniza. Afinal, com o "mal", não se dialoga; o mal se extirpa. É assim que amizades de décadas terminam por causa de um post no WhatsApp.

O perigo de adorar quem deveria ser fiscalizado

Precisamos recuperar a sobriedade. Políticos são pagos com o seu imposto. Eles ocupam cargos temporários para gerir recursos que pertencem a você.

Quando você se torna um "fã" de político, você abre mão do seu maior poder: a cobrança. O político que se sente adorado não sente necessidade de prestar contas. Ele sabe que, não importa o erro que cometa, sua "congregação" de eleitores fiéis encontrará uma desculpa para perdoá-lo.

Como quebrar o ciclo: Política é gestão, não milagre

O primeiro passo para o fim da polarização doentia é entender que não existem santos no poder. Existem homens e mulheres falíveis, cercados de interesses, que precisam de vigilância constante.

Se você não consegue criticar o seu próprio partido, você não é um cidadão consciente; você é um fiel de uma seita que não vai te dar a salvação, mas certamente vai ficar com o seu dinheiro.


Agora a pergunta que não quer calar: Você já se pegou defendendo um erro óbvio de um político só porque ele representa o seu lado? Ou já sentiu que não pode mais criticar seu "líder" sem ser chamado de traidor pelos seus próprios amigos?

Seja sincero e deixe sua opinião nos comentários — vamos ver quem aqui ainda consegue manter a autocrítica ativa!

Luiz Silva

Apaixonado pelo varejo, o autor deste blog construiu uma carreira sólida em Marketing e Comunicação Visual, trabalhando em grandes empresas. Técnico em marketing e especialista em inbound, ele se dedica à criação e instalação de peças visuais para uma rede varejista no Espírito Santo. Contrariando expectativas, o autor encontra grande prazer nas atividades manuais de impressão, aplicação de adesivos e instalação de peças visuais. Ele acredita que, em um mercado competitivo, a visibilidade é a chave para o sucesso. Este blog é um espaço para compartilhar sua paixão pelo trabalho e promover o aprendizado. Aqui, ele mostra seu dia a dia e suas reflexões sobre varejo e marketing.

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